Qual o seu objetivo em trabalhar todos os dias ?

Esse artigo não vai falar da máxima que todo empresário diz “eu trabalho para mim e não para os outros!”, máxima essa que eu acho uma tremenda baboseira já que todo empresário vai ter que vender algo para alguém e consequentemente trabalhar.

Eu quero falar sobre o que você está fazendo, o que você está fazendo todos os dias, isso realmente está gerando algum resultado para você ?

Lembro que nos meus tempos de estágio, que eu ganhava R$ 200,00 por mês, foi a época que eu mais trabalhei e mais aprendi. Depois passei a ganhar mais de R$ 1.000,00 e foi nesse momento que o meu trabalho se tornou mais mecânico, eu já sabia programar telas, já tinha feito vários sistemas, então os desafios eram menores, porém os problemas eram maiores e isso não estava nada relacionado ao resultado, ao objetivo, era apenas mais um sistema que iria ficar “pronto”.

É demais você exigir da empresa que você trabalha horas para você fazer o projeto que quiser ? Será mesmo que é muito difícil uma empresa dar um dia inteiro de trabalho para os funcionários simplesmente produzirem algo que eles queiram ? Já vi algumas pessoas compararem programadores com artistas, porém essas mesmas pessoas dão apenas paredes já marcadas onde eles devem pintar, quero ver quem tem coragem de dar apenas um balde de tinta pra esse cara…

E opa! eu tenho uma empresa! Então por que não fazer isso aqui na Jera ? É o que fizemos, o @sauloarruda sugeriu a toda equipe: “Sexta-feira é o dia dos labs!”, todo mundo vai parar o projeto que está trabalhando, juntar com mais uma pessoa da equipe e tocar algum lab junto, a ideia é que todos se envolvam no projeto de todos, algo como um rodizio mesmo, toda sexta-feira vai lá e junta com outra pessoa e aprende o que ela está fazendo, crie, pense, vai e faça!

Como empresário, o que eu vejo são 10 pessoas muito talentosas (fodas) livres para criar novos produtos. E se algum deles quiserem levar o produto deles adiante, conte com a Jera 🙂

Não cheguei nem perto de escrever tudo o que eu queria sobre esse assunto, mas tá aqui um vídeo que mostra tudo e mais um pouco:

Abrir empresa ? Corre bino, é uma cilada!

O que você vai encontrar por aí sobre não abrir uma empresa, sobre os mitos, sobre os fracassos, provavelmente vai estar nessa lista:

  • Você não vai deixar de ter chefe, você simplesmente vai ter muitos chefes.
  • Tranquilidade não é um lugar que você compra as passagens e marca a data de chegada.
  • Se você não é rico, não vai ser agora que você vai ficar. Calma, você precisa ralar muito

Acredito que todo artigo que li sobre as “ciladas” de se abrir uma empresa ficam sempre entre esses temas, “chefe”, “tranquilidade” e “dinheiro”, o que agora depois de 7 meses com a minha empresa posso ver que tudo isso é um tremendo blá blá blá de quem finge que tem empresa ou de filho rico brincando de casinha. Ou você acredita mesmo que o cara que tem peito para abrir uma empresa se ilude achando que não vai ter chefe?

A verdade constatada até o meu presente momento foi:

  • Quem deveria te ajudar, não vai. Governo, banco e principalmente os clientes. Aqui você precisa tomar a seguinte decisão, fazer o certo ou o errado, simples assim. Você pode começar pelo errado e sonegar impostos e fazer mutretas com o seu contador, meter a faca no cliente e fazer a conta do banco da sua empresa no nome da empresa do papai. O certo é, assuma a sua insignificância agora e batalhe pela sua existência de uma forma digna, segue alguns mantras que estou seguindo:
    • Não irei sonegar imposto, pois assim como o governo é ágil para cobrar é filho da puta para te multar.
    • Tenho noção que os bancos de uma forma geral são todas prostitutas de luxo que só querem o seu dinheiro, se você não tem, você não come.
    • Serei sincero com os meus clientes, não medirei forças e palavras para ajudá-los a entender que quem sabe fazer o meu trabalho sou eu, farei o possível para atingir o óbvio, que o sucesso do meu cliente também é o sucesso da minha empresa.

Abrir uma empresa é uma tremenda furada se você tem o seguinte perfil:

  • Quando for a minha empresa, farei diferente.

Quer mentira maior do que acreditar na mudança da postura profissional de uma pessoa, só por que ela abriu uma empresa ? Mudança não tem nada a ver com evolução profissional, você pode ser um gênio com a postura de um adolescente. E caráter e dignidade você não aprende no estágio.

E aí, vai encarar ? Abre uma empresa aí!

Você faz networking?

De uns meses pra cá, eu estou em um processo de mudança na maneira como eu encaro (vivo) o meu trabalho. Estou tentando não separar o tal profissional do pessoal, do horário de trabalho do horário de lazer, não está sendo fácil mais está rendendo boas experiências e o tal “networking”  é a primeira que eu quero compartilhar com vocês.

Afinal de contas o que é o tal “fazer networking” que você lê e ouve dos pseudos “empreendedores-profissionais”? Sinceramente eu custo a entender, pois o que eu escuto é sempre a famosa receitinha:

  • Participe de eventos
  • Promova reuniões com outros profissionais com o mesmo interesse
  • Crie grupos (listas de email, twitter, site, etc) sobre o que você faz
  • Faça cases (software livre) para poder ser visto
  • Palestre…

Admito que fui um pato e segui essa receita. Ela da certo? Claro. Para todo mundo dá, é simplesmente o bom e velho “ser visto” e “não tenha vergonha de falar”. E por que eu estou me sentindo um pato? Oras bolas! você quer ser todo mundo? não foi por isso que você quis empreender, para ser diferente? Vai ficar seguindo receitinha?

Eu não vou investir, acreditar, sonhar e trabalhar junto com uma pessoa que não seja meu amigo, é isso que eu espero das pessoas com quem eu trabalho, sempre o melhor, sempre a sinceridade, é isso que eu dou a elas e se eu quero fazer a diferença com o meu trabalho eu preciso acreditar nas pessoas. Prefiro sofrer uma decepção com um amigo, do que ver o meu cliente/parceiro virar um inimigo, não armo mais trincheiras, eu discuto a relação.

Por isso eu não faço mais networking, eu faço amigos(as).

7 lições que aprendi sobre empreender

Como já divulguei por aqui, já fazem pouco mais de dois meses que fundamos a Jera e nesse tempo tive a oportunidade de aprender muito sobre empreendedorismo e gostaria de compartilhar aqui algumas das lições:

1. Tenha coragem

A primeira delas é ter coragem para começar. Sair da sua zona de conforto, do seu salário garantido no fim do mês, da “estabilidade” do emprego fixo não é tarefa fácil até para o mais animado dos empreendedores. Neste ponto nós pesamos aquilo que temos a perder e definimos um prazo limite para abortar a idéia que era o final de Agosto.

Lembrando também que sempre existem custos iniciais que devem ser planejados, e que, além de se manter durante um tempo que a empresa não deverá gerar receitas, também será necessário investir algum dinheiro para custear a abertura da empresa. Recomendo fazer esses investimentos conforme a necessidade, em vez de juntar muito dinheiro no início, ir investindo conforme as contas vão aparecendo.

Não faça sozinho! Temos 5 sócios, o que muita gente acha loucura, mas não vejo um cenário melhor para discutir em um ambiente de visões diferentes onde todos buscam um objetivo comum.

2. Cultive bons contatos

Apesar de bastante óbvio, não é uma tarefa fácil. Antes de abrir a empresa nós negociamos com as empresas que trabalhávamos uma parceria para terceirização de serviços. Isso garantiu pra gente nossos primeiros contratos e uma previsão financeira de alguns meses.

Além disso, é o momento de mandar e-mails, chamar no MSN, ligar, visitar, bajular antigos contatos de outros carnavais. É o momento que as pessoas têm que ficar sabendo que agora você abriu seu próprio negócio. Isso garantiu pra gente boas prospecções e negócios fechados.

Outro ponto muito importante é a indicação, mesmo que você não possa atender algum cliente, tenha opções para indicar e lembre-se que a recíproca é verdadeira. Vários de nossas prospecções vieram de indicações de parceiros e amigos.

3. Tenha um excelente ambiente de trabalho

Aqui temos uma regra simples: Não economize com seu ambiente de trabalho! Invista em uma ótima bancada de trabalho, não abra mão da melhor cadeira que seu dinheiro pode comprar, pague por monitores de 23 polegadas ou mais com resolução full hd, não economize ar condicionado e, não menos importante, mantenha o frigobar sempre cheio com boas comidas e não economize na cafeteira e no pó de café!

No nosso escritório instalamos vidros na parede para servir como quadro branco e kanban. Temos também um Wii cedido por um dos sócios que garante boas seções de Wii Sports. Alguns detalhes são muito importantes para o bem estar como um banheiro equipado (papel higiênico de qualidade, toalhinhas limpas e um bom ar eficiente), impressora (wireless que funcione em linux e macosx), telefones sem fio com ramal e espaço separado da bancada de trabalho para tomar um café.

Preocupe-se com a decoração da sala, nós usamos brinquedos e quadros com temas bimestrais (primeiro bimestre foram os Beatles, agora teremos Filmes!) e uma planta. Existem várias outras idéias que ainda não tivemos tempo ou dinheiro para colocar em prática, mas para isso que serve nossa “wishlist”!

Outra coisa legal que fizemos nesse sentido foi um “chá de escritório” onde todos nossos amigos que vieram nos visitar pegavam um item da wishlist para dar de presente. Nessa brincadeira ganhamos a planta, porta chaves, tapete, chícaras, bandeja, organizador para escovas de dente do banheiro, entre outros… (me desculpe se você é um amigo e não lembrei do seu presente). Não deixe de ver as fotos no flickr.

4. Participe da comunidade

Faz parte da visão da empresa a organização e patrocínio de eventos locais (e colaboração na organização dos nacionais) e participação de todos os eventos locais e nos mais importantes do cenário nacional.

Já participamos do ENSOL, Agile Brazil, FISL, PHPhederal, PHPSCConf, QCon, TechEd, e Linguágil. Em alguns deles nosso colega Porkaria teve a oportunidade de palestrar. Localmente, organizamos um DOJO do JUG-MS e do PHP-MS, ambos falando sobre TDD, palestramos do Dia-D do DebianMS, patrocinamos a Semana da Computação da UNIDERP que acontece essa semana com palestra e mini curso. Estamos também patrocinando o Javaneiros 2010 que acontecerá em 6 de Novembro e já agendamos a participação no RubyConf, PHPConf e Latinoware.

Estamos trabalhando agora com projetos open-source, com uma biblioteca Rails para autocomplete, bibliotecas PHP para desenvolvimento mobile, sistema para gerenciamento de eventos do PHP-MS, o Comitiva e um software para gerenciamento de Pomodoros, o Ketchup. Estamos começando agora com desenvolvimento de aplicações para Android.

5. Suas estimativas estão erradas

Todas nossas previsões de recebimento de dinheiro atrasaram assim como as datas de entrega dos serviços. Você tem que aprender a lidar com isso. O objetivo é errar cada vez menos e não deixar de fazer estimativas.

É importantíssimo prever os custos e receitas para ter pelo menos alguns objetivos em mente. No nosso caso, temos uma meta de lucro para 2010 e estamos direcionando todas nossos esforços comerciais para isso. Temos também uma previsão de receitas e custos para os próximos 6 meses. Esteja ciente que por ser pequeno, não é muito difícil de dar muito mal por conta de um negócio mal fechado.

Além disso você deve considerar que sua equipe, especialmente os sócios, tem outras atividades além de trabalhar no projeto. Existe um esforço comercial e administrativo que é dividido entre os sócios e que toma mais tempo que você pensa. Considere isso na hora de combinar prazos com clientes.

6. Pense menos e faça mais

Desde o início da empresa estamos buscando opções para desenvolvimento de produtos da empresa. Já passamos por várias discussões e gastamos tempo e dinheiro com idéias que acabamos engavetando. Existe um complicado equilíbrio entre o custo e o benefício de uma idéia e até agora nós ainda não encontramos um equilíbrio.

Somente após 2 meses conseguimos definir qual produto queremos desenvolver, mas para isso tivemos que engavetar outras idéias e até recusar/cancelar acordos informais que fizemos com alguns parceiros e amigos.

Agora que vem o ponto: o produto que queremos fazer é grande e requer um bom investimento de tempo e equipe. Agora que lançamos mão dos princípios de desenvolvimento ágil! Decidimos desenvolver o mínimo possível para lançamento do produto e fixamos o prazo para o ano de 2010. Nesse ponto, ainda temos muito para aprender…

7. Faça o melhor trabalho possível

A excelência técnica faz parte da visão da empresa. Aqui, lançamos mão de todas as ferramentas e técnicas para produzir o melhor software possível. O uso de TDD, DDD, programação em pares, SCRUM, XP, Kanban, e todas as outras “buzzwords da moda” são consideradas no nosso dia-a-dia. Mas, o ponto mais importante chama-se melhoria contínua. Sem isso, de nada adianta as melhores técnicas, práticas ou ferramentas.

A sinergia da equipe, dicussão franca, ausência de hierarquia, e principalmente, manter-se pequeno! Esse é o segredo para conseguir o melhor resultado e neste ponto estamos evoluindo rapidamente, um pouco por necessidade e muito por desejo.


Espero que tenha conseguido sintetizar o que vivemos nos últimos dois meses e que seja útil para outros empreendedores que estão pensando em abrir seu próprio negócio. Fique à vontade para comentar e complementar essa lista!

Lei trabalhista e trabalhadores

Hoje li mais um artigo bombástico do Ricardo Jordão entitulado “Eu escutei os conselhos de pessoas mais inteligentes do que eu, e ignorei a todos” falando sobre o tema trabalho. Concordo plenamente com a visão exposta por ele no artigo e em breve terei boas novidades publicadas aqui sobre o assunto.

Mas o assunto desse meu post é outro ponto de vista sobre o assunto. Há alguns minutos escutei meu pai reclamando que não tem mais gente querendo trabalhar hoje em dia. Ele é advogado e atende vários processos trabalhistas desde quando já advogava pela empresa dele. Contou o caso que está atendendo de uma construtora que contratou 15 funcionários e destes, 14 entraram com ações trabalhistas alegando um absurdo maior que o outro.

Alguns casos são até engraçados. Um desses 14 foi contratado, levou sua carteira de trabalho para a empresa registrá-lo e nem apareceu no primeiro dia de trabalho. O RH tentou contato, mas o cara não foi encontrado e também não fez nenhum contato. Alguns dias depois, chega uma ação trabalhista acusando a empresa de reter a carteira de trabalho do cidadão, que está com a pensão alimentícia atrasada (o que realmente dá cadeia no Brasil) e está impossibilitado de trabalhar devido a empresa não ter devolvido sua carteira de trabalho. O advogado do cidadão pediu R$ 6.000,00 por “danos morais”. É mole??

Concordo com o mérito das leis trabalhistas quanto ao objetivo de proteger o trabalhador contra empresas exploradoras. Mas pensando que a maioria das empresas do país, e maiores empregadores, são pequenas ou micro-empresas, não vejo muitas histórias de exploração do funcionário pela empresa nesses casos. O que tenho visto com bastante frequência é o empresário reclamando de ações trabalhistas uma mais absurda que a outra. Alías, como meus pais sempre foram empregadores, escuto isso desde criança.

O interessante é que as vezes a gente tenta se colocar no lugar das pessoas. Baixos salários, trabalho insalubre, condições precárias de segurança, nenhuma escolaridade são fatores que só agravam o problema. Mas trabalhando na área de TI, que conta sempre com bons salários (pelo menos maiores que a média nacional), alta escolaridade, boas condições de trabalho, ainda nos deparamos com pessoas querendo tirar vantagem e exigir seus “direitos”. Enfim, … não vou entrar nos méritos desse assuntos, é lamentável.

O ponto que quero focar é que hoje temos mais empregos do que profissionais capacitados para o trabalho. Milhões de pessoas buscando a estabilidade do serviço público com seus altos salários e benefícios, além de um plano de carreira que culmina na aposentadoria sem muito esforço. Não encontrei uma boa maneira de terminar esse post, infelizmente é um assunto que me deixa bastante chateado. Mas disso eu tiro uma lição para mim: Quero equilíbrio, e não estabilidade.