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Lei trabalhista e trabalhadores

Por Saulo Arruda em June 1, 2010 às 12:40 pm | Liderança, Off-topic

Hoje li mais um artigo bombástico do Ricardo Jordão entitulado “Eu escutei os conselhos de pessoas mais inteligentes do que eu, e ignorei a todos” falando sobre o tema trabalho. Concordo plenamente com a visão exposta por ele no artigo e em breve terei boas novidades publicadas aqui sobre o assunto.

Mas o assunto desse meu post é outro ponto de vista sobre o assunto. Há alguns minutos escutei meu pai reclamando que não tem mais gente querendo trabalhar hoje em dia. Ele é advogado e atende vários processos trabalhistas desde quando já advogava pela empresa dele. Contou o caso que está atendendo de uma construtora que contratou 15 funcionários e destes, 14 entraram com ações trabalhistas alegando um absurdo maior que o outro.

Alguns casos são até engraçados. Um desses 14 foi contratado, levou sua carteira de trabalho para a empresa registrá-lo e nem apareceu no primeiro dia de trabalho. O RH tentou contato, mas o cara não foi encontrado e também não fez nenhum contato. Alguns dias depois, chega uma ação trabalhista acusando a empresa de reter a carteira de trabalho do cidadão, que está com a pensão alimentícia atrasada (o que realmente dá cadeia no Brasil) e está impossibilitado de trabalhar devido a empresa não ter devolvido sua carteira de trabalho. O advogado do cidadão pediu R$ 6.000,00 por “danos morais”. É mole??

Concordo com o mérito das leis trabalhistas quanto ao objetivo de proteger o trabalhador contra empresas exploradoras. Mas pensando que a maioria das empresas do país, e maiores empregadores, são pequenas ou micro-empresas, não vejo muitas histórias de exploração do funcionário pela empresa nesses casos. O que tenho visto com bastante frequência é o empresário reclamando de ações trabalhistas uma mais absurda que a outra. Alías, como meus pais sempre foram empregadores, escuto isso desde criança.

O interessante é que as vezes a gente tenta se colocar no lugar das pessoas. Baixos salários, trabalho insalubre, condições precárias de segurança, nenhuma escolaridade são fatores que só agravam o problema. Mas trabalhando na área de TI, que conta sempre com bons salários (pelo menos maiores que a média nacional), alta escolaridade, boas condições de trabalho, ainda nos deparamos com pessoas querendo tirar vantagem e exigir seus “direitos”. Enfim, … não vou entrar nos méritos desse assuntos, é lamentável.

O ponto que quero focar é que hoje temos mais empregos do que profissionais capacitados para o trabalho. Milhões de pessoas buscando a estabilidade do serviço público com seus altos salários e benefícios, além de um plano de carreira que culmina na aposentadoria sem muito esforço. Não encontrei uma boa maneira de terminar esse post, infelizmente é um assunto que me deixa bastante chateado. Mas disso eu tiro uma lição para mim: Quero equilíbrio, e não estabilidade.

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      Blog Post: Lei trabalhista e trabalhadores http://goo.gl/fb/u0Oy6

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      Acho q vou fazer um post para o EuOdeioVoce sobre o mesmo tema! =D RT @sauloarruda: Lei trabalhista e trabalhadores http://goo.gl/fb/u0Oy6

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    • http://hryun.com Vinícius Egidio

      Olá Saulo,

      Concordo com o que seu pai disse sobre as pessoas que não querem trabalhar; eu tinha uma pizzaria quando morava ai no Mato Grosso do Sul e passei por problemas similares. Enfim, o que eu gostaria de comentar na verdade é o artigo do Ricardo Jordão que você disse concordar.

      Concordo com algumas coisas e discordo de outras. Não vou entrar nos méritos de como ele cria sua filha ou deixa de criar, moral e intelectualmente. Apesar de não concordar com o que ele diz nos primeiros parágrafos, a filha é dele e a sua criação deve ser feita da maneira que os pais acham mais correto. Sobre a questão do trabalho, eis aqui minhas opiniões:

      1º Parágrafo: Não vi nada de muito concreto aqui. “Ter autonomia para despedir o chefe” não me parece diferente da frase que Larry Ellison usou alguns anos atrás quando disse que “devemos nos desligar de chefes incompetentes, pois quando o barco afundar o chefe levará com ele sua tripulação”.

      O que quero dizer é: não é tão simplesmente despedir seu chefe e esperar que alguém mais capacitado assuma o lugar. Muitas vezes não existe outra opção para assumir a liderança. O profissional tem duas opções: pular do barco na esperança de conseguir algo melhor ou assumir o controle e tentar colocar as coisas no lugar. Simplesmente reclamar disso e daquilo sem propor soluções – tanto na empresa quanto no país (como é feito no primeiro parágrafo) – me parece muito cômodo.

      2º Parágrafo: Concordo. Cumprir horário é coisa do passado. O sistema de hoje deveria ser na forma de deliverables. Estamos caminhando em direção a isso na IBM. Recebemos um request, estimamos e definimos datas de início e entrega. Se o funcionário quiser passar 99% de seu tempo em casa se masturbando no banheiro o problema é dele, contanto que ele entregue o que foi acordado na data final.

      Outra coisa que o autor menciona aqui é o sistema de trabalho Home/Office. Acho que funciona para alguns, mas não funciona para outros. A maioria dos funcionários na IBM mundial hoje trabalha em casa (eu sou um deles), mas sei de casos em que o trabalho dentro de um escritório é mais proveitoso para o empregado e para a empresa. Antes de qualquer coisa deve haver infra-estrutura.

      3º Parágrafo: Mídias sociais não devem ser bloqueadas, mas não concordo com o oba-oba. Apesar de terem vantagens, como o autor mencionou, elas também facilitam o vazamento de informações e abrem mais caminhos para falhas de segurança. Em 2006 nós tivemos uma infestação generalizada na IBM por causa de um vírus que invadiu a rede. Segundo a lenda este vírus entrou na rede da IBM através do MSN de um funcionário.

      Enfim, acho que a empresa não deve bloquear redes sociais, mas deve ficar atenta sobre possíveis abusos.

      4º Parágrafo: Concordo totalmente, mas o problema aqui não está apenas nos empregadores. Está também nas pessoas que não valorizam seu trabalho. Eu conheço vários profissionais de nossa área que se sujeitam a coisas como contratação PJ (algo que virou praticamente regra em nosso meio), salários irrisórios. Porra, minha ex-namorada trabalhava atendendo mesas no AppleBee em São Paulo e ganhava R$ 2200 + bônus e gorjetas. Enquanto isso eu vejo colegas trabalhando com TI que não chegam a ganhar nem R$ 2000.

      Não estou desprezando o trabalho de alguém que atende mesas no AppleBee, mas nosso meio exige muito mais conhecimento e estudo. Eu fico puto quando vejo uma empresa oferecendo um salário de pouco mais de R$ 2000 para um profissional que precisa estudar e se atualizar diariamente para continuar produzindo a mesma coisa que produzia a 6 meses atrás e fico mais puto com as pessoas que aceitam tal salário. Se a pessoa não valoriza seu trabalho então a última pessoa que fará isso será o chefe. Acho que alguém deve se sujeitar a situações assim em apenas duas ocasiões: (1) é um estagiário e está lá para principalmente para aprender, não receber um salário descente; (2) é um fracassado que não consegue emprego e tem que se contentar com a merda que qualquer um dá para ele.

      Concordo que nossa área tem mais ofertas de trabalho do que profissionais para preenchê-las, mas eu costumo dizer que a grande maioria dessas ofertas não são dignas de um verdadeiro profissional que estudou e se matou na faculdade, fazendo cursos extras, especializações, tirando certificações, etc.

      5º e 6º Parágrafos: Estou dividido nesses dois. A visão do cara a respeito de desenvolvimento dentro do ambiente de trabalho através de grupos de estudo ou um coach (ou mentor, como costumamos dizer lá na IBM) seria ótimo, mas me parece meio utópico.

      Não podemos esperar que a empresa sempre vá bancar nossa educação. Teoricamente um funcionário mais instruído produz mais no futuro, mas enquanto ele está estudando não produz nada no presente. Estudar durante o horário de trabalho é o sonho de muitos na nossa área, mas não deixo de ver o lado da empresa também. Às vezes é mais fácil para a empresa adquirir um recurso “já estudado”, que produzirá imediatamente, do que pagar para que um recurso estude durante o trabalho e produza nada agora.

      O mesmo vale para o coach. Ele seria muito bom num mundo perfeito, mas não dá para ser babá de alguém cobrando resultados, dando broncas e fornecendo tudo mastigado quando a pessoa precisa. Eu sou um dos mentors do grupo de Lotus Notes na IBM, já dei vários cursos e constantemente auxilio outros funcionários, mas muitas vezes as pessoas têm que se virar sozinhas. Não queria usar chavões, mas as pessoas aprendem mais quando se fodem, do que quando acertam!

      Enfim, como eu disse no início, eu fiquei dividido com relação ao texto daquele cara. Concordei com alguns parágrafos, mas discordei muito de outros. Muita coisa ali depende de cenários quase perfeitos, de uma realidade que não existe hoje, nem no Google, que é visto hoje com o Valhala do ambiente de trabalho (http://techcrunch.com/2009/01/18/why-google-employees-quit/).

      É isso ai, meu amigo. Independente de o autor estar certo ou errado a situação não é animadora. Se ele estiver certo isso mostra o quanto estamos distantes da realidade dele; se estiver errado isso mostra o ambiente de trabalho visualizado por ele só existe mesmo nos sonhos daquele artigo.

      Abraços,
      Vinícius

    • http://twitter.com/sauloarruda sauloarruda

      @bizrevolution começando uma discussão interessante na web e twitter provocada pelo seu último post! Vlw pela inspiração! http://j.mp/c3cHCV

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    • http://twitter.com/bizrevolution bizrevolution

      Começando uma discussão interessante na web e twitter provocada pelo seu último post! Vlw pela inspiração! http://j.mp/c3cHCV @sauloarruda

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    • http://sauloarruda.eti.br sauloarruda

      Vamos lá. Vou tentar ser objetivo:
      1. Quando falamos em boas empresas para se trabalhar acredito que o ambiente promova estudo no trabalho, minimização das hierarquias e liberdade. Por exemplo, não seria interessante a pessoa que usa o tempo de trabalho para estudar algo preparar uma apresentação para o restante da equipe? Todos ganham com isso, especialmente a empresa.
      2. Se submeter a contratos de trabalho PJ, Autônomo ou mesmo CLT realmente no Brasil não tem uma boa opção e é realmente é triste um programador que tem que se atualizar constantemente ganhe o mesmo que um atendente de telemarketing. Mas você conhece algum BOM programador ganhando pouco? Todos os bons profissionais tem bons salários pois as empresas vão disputá-los “no tapa”! Logo, se alguém está ganhando o mesmo que um atendente de telemarketing, na minha opinião é porque está fazendo a mesma coisa, isto é, está somente “fazendo seu trabalho”, sem agregar nada para a empresa além daquilo que está “sendo pago para fazer”.
      3. Como já disse, eu gosto dos textos do Ricardo pelo tom provocativo! Não devemos nos contentar com nossa realidade medíocre. Existem várias pessoas que se acostumam com sua condição e por isso nem tem mais esperança nas mudanças. Eu já escutei várias pessoas falando que o que estou falando é muito bonito mas não funciona. É exatamente esse o espírito. Enquanto as pessoas não se mobilizarem para promover melhores condições de vida (ou deveria dizer de trabalho), as empresas continuarão sendo depósitos de gente desmotivada, mal remunerada, mal humorada e infeliz.

      Abraços! Aproveita a Europa pra gente!


      Saulo Arruda
      http://sauloarruda.eti.br

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      Você é feliz com seu trabalho? Dê sua opinião nos comentários: http://bit.ly/8ZX4Kj #rimou

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    • http://kside.net Kristopher Murata

      Não sou referencial, porque nunca trabalhei em empresa brasileira com carteira assinada ou mesmo PJ, só alguns freelas, por isso eu posso estar completamente errado. Entretanto, no meu ponto de vista, esse problema de falta de mão de obra e má vontade para trabalhar é de longa data no Brasil e é meio que cultural.

      O ser humano é por essência “vagabundo”, ele tende a procrastinar e procurar atividades que não exijam esforços (ver tv, jogar qualquer coisa viciante, fazer nada…), então se não existe uma força maior para nos manter em movimento acabamos nos rendendo à mediocridade do cotidiano fazendo sempre o mínimo.

      No Brasil, em especial, parece que fazer o mínimo é regra e não excessão, por isso é relativamente fácil se destacar e conseguir um bom emprego e, por sua vez, os bons profissionais estão bem empregados e não mudam de emprego. Já em países que conseguem se reconstruir do zero em alguns anos, como Japão e Alemanha, o cenário é totalmente diferente, a sociedade empurra e obriga todo mundo a evoluir, existe um empenho maior em continuar em movimento.

      Isso sem querer entrar no mérito do cultivo da desonestidade, do jeitinho brasileiro, o herói malandro, da corrupção no dia-a-dia popular (não só dos políticos, corrupção vem do povo) e tantas outras características que criam o ambiente propício ao desenvolvimento à passos de tartaruga.